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PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO POR INCAPACIDADE. TRABALHADOR URBANO. INCAPACIDADE DECORRENTE DE AGRAVAMENTO DE DOENÇA PREEXISTENTE. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONSECTÁRIOS. HONORÁRIOS. APELAÇÃO DO INSS NÃO PROVIDA. 1. Os requisitos indispensáveis para a concessão do benefício previdenciário por incapacidade temporária ou permanente são: a) qualidade de segurado; b) carência de 12 (doze) contribuições mensais; c) incapacidade para atividade laboral temporária, parcial ou total (benefício por incapacidade temporária); ou permanente e total cumulada com a impossibilidade de reabilitação (benefício por incapacidade permanente). 2. O apelante argumenta que a enfermidade a que acomete o autor seria preexistente ao seu ingresso no RGPS e que na data do surgimento da incapacidade, a parte autora não era segurada do INSS, razão pela qual pleiteia a reforma da sentença para que seja julgado improcedente o pedido inicial. 3. O laudo pericial atestou que a parte autora é portadora de distrofias hereditárias da retina e por cegueira de um olho e visão subnormal em outro que implicam incapacidade total e permanente desde 23/03/2021. O perito atestou, ainda, que a doença tem caráter hereditário e degenerativo, de modo que a incapacidade é decorrente do seu agravamento. 4. A preexistência de doença ou lesão não impede a concessão de benefício por incapacidade, se comprovada que a incapacidade decorreu do agravamento ou progressão da doença ou lesão. Precedentes. 5. No caso dos autos, verifica-se do CNIS da parte autora a existência de vínculo de empregada doméstica no período entre 05/2019 e 06/2020 e recolhimento como contribuinte individual no período entre 02/2020 e 03/2021 O primeiro pagamento sem atraso ocorreu em 11/2020. 6. O juízo de primeiro grau, com acerto, ao examinar as provas apresentadas nos autos e considerando o caráter progressivo da doença, concluiu que a incapacidade da parte autora decorreu de agravamento da doença, fixando o termo inicial na data do requerimento administrativo, ocorrido em 23/03/2021. 7. Manutenção da sentença que condenou a autarquia a conceder benefício por incapacidade permanente em favor da parte autora. 8. Correção monetária e juros moratórios conforme Manual de Cálculos da Justiça Federal, nos parâmetros estabelecidos no julgamento do RE-RG n. 870.947/SE (Tema 810) e REsp n. 1.495.146/MG (Tema 905). 9. Mantidos os honorários advocatícios arbitrados na sentença, acrescidos de 1% (um por cento), nos termos do art. 85, §11, do CPC, a incidirem sobre as prestações vencidas até a sentença (súmula 111 do STJ). 10. Apelação do INSS não provida. (AC 1018497-74.2023.4.01.0000, JUÍZA FEDERAL LILIAN OLIVEIRA DA COSTA TOURINHO, TRF1 - NONA TURMA, PJe 15/07/2024 PAG.) |
Fonte: https://www2.cjf.jus.br/jurisprudencia/unificada/
Publicado em 06/08/2024.
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